Este blogue tem como objetivo divulgar as histórias e tradições bem como as belezas naturais e as criadas pelos Tremoceiros, alcunha dada aos casalenses, habitantes da aldeia de Casal da Quinta, Milagres, Leiria, Portugal.
Por alturas do S. João, no mês de Junho, no cimo das árvores mais altas da aldeia de Casal da Quinta apareciam, ao cair da noite, enxames de insetos vindos de local incerto.
Foto de Rosário Sousa
Até na torre da igreja da aldeia apareciam esses besouros inofensivos que faziam as delicias das crianças... Eram as chamadas BURRINHAS DE S. JOÃO.
Fotos de Rosário Sousa
Vejam como foi no ano de 2015 e imaginem a quantidade de insetos a triplicar... era assim no passado!!
ver em : https://youtu.be/hiI6J3kR_mE
Estes insetos de aspeto simpático transformavam-se em brinquedos da pequenada.
Desenho original do livro alemão - "
Max y Moritz «Niños jugando con Melolontas» 1865
A Criançada colocava-se junto à torre da igreja e aguardava que, do cata-vento (em forma de galo) caíssem autenticas "bolas" de insetos, ao mesmo tempo que cantarolava esta lenga-lenga:
Desenho de Rosário Sousa
Foto de Rosário Sousa
Depois pegavam-se pelas perninhas faziam-se girar com toda a velocidade e elas , certamente tonteadas, batiam as asas produzindo um zumbido muito característico.
Esta brincadeira durava 5 ou 6 dias ... sempre ao fim da tarde, sempre numa semana próxima do S. João (em princípios de Junho), sempre junto às árvores mais altas ou junto à torre da igreja e sempre com muita muita alegria e animação.
Fotomontagem de Rosário Sousa
Nunca nenhuma Burrinha era morta... depois da brincadeira, e já de noite, os insetos eram libertados e seguiam o seu ciclo de vida, que todos desconheciam.
Foto de Rosário Sousa
Mas o que são afinal as BURRINHAS DE S.JOÃO?
São simplesmente besouros, insetos cujo nome cientifico é
melolonta (Melolontha melolontha).
Foto de Rosário Sousa
Em algumas regiões de Portugal e no Brasil é conhecida por pão de galinha por ser muito apreciada por esta e outras aves, quando se encontra em forma de larva. Em Espanha e alguns países da America Latina chamam-lhe Gallina Ciega em Inglaterra é Cockchafer.
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O ciclo de vida evolutivo desenrola-se durante três anos.
No primeiro ano as fêmeas depositam os ovos no solo, a cerca de 25 a 30 cm de profundidade.
As larvas eclodidas, durante o verão, vivem geralmente em terrenos arenosos e lavrados , na linha da sementeira, onde se alimentam das raízes da vegetação herbácea e lenhosa.
No outono, enterram-se no solo para hibernarem.
No segundo ano, o ciclo repete-se, mas as larvas já são mais desenvolvidas e os estragos são os mais importantes.
No terceiro ano, mais próximas de completar o ciclo de vida, são muito menos vorazes depois transformam-se em crisálidas.
Em junho, saem da terra já em forma de besouros.
E, já transformadas em insetos adultos, machos e fêmeas sobem a sítios altos onde fazem a sua dança nupcial.
Foto de Rosário Sousa
E acabam assim o seu ciclo de vida cumprindo a sua missão da reprodução.
Depois a fêmea volta à terra onde deposita os seus ovos brancos e redondos.
Acabam depois por morrer, os machos e as fêmeas, completando assim o seu ciclo de vida.
E agora que já sabe de onde vem e como vivem as MOLOLONTAS, veja novamente este video que mostra os seus voos nupciais em volta do cata-vento da nossa aldeia.
São as nossas BURRINHAS DE S. JOÃO.
Texto e as fotos legendadas são de Rosário Sousa As fotos, não legendadas, foram retiradas de diferentes sites existentes na internet,
"Cozinhada” era o nome dado, por toda a gente do Casal da Quinta, ao tradicional almoço comunitário que se realizava no domingo, que no calendário vem imediatamente antes do Carnaval, que também se conhece por Domingo Gordo.
Neste dia havia o tradicional costume de fazer um ARROZ GORDO, no almoço comunitário realizado no campo... uma espécie de pic-nic à moda antiga.
Velhos e crianças, rapazes e raparigas formavam grupos de acordo com o seu parentesco e vizinhança e organizavam todas as coisas necessárias para esse tão esperado dia de partilha, amizade e alegria.
A refeição constava sempre de um só prato, e este era sempre feito com de carne de porco, até então conservada nas salgadeiras e nos fumeiros.
A carne e o arroz eram oferecidos pelos participantes. Cada um levava o que tinha: uma chávena de arroz,toucinho alto e gordo, entremeada, chouriço, o sal, broa de milho e vinho.
Preparavam-se, em conjunto, a fogueira, juntava-se a lenha miúda, ia-se buscar um cântaro de água. Depois havia também quem levasse as famosas e típicas panelas de ferro.
Cada um levava o seu prato e o seu garfo e pouco antes do meio dia, no sitio combinado fazia-se a fogueira, colocava-se a panela ao lume e assim se juntavam todos os ingredientes necessários.
E depois de pronto... era só saborear. E como sabia bem!
Eis a receita:
Arroz
Carnes de porco (toucinho, entremeada. chouriço), cebola, azeite, sal.
Cortam-se todas as carnes em pequenos pedaços e tiram-se todos os ossos. Colocam-se na panela com água e a cebola picada e tempera-se com sal e azeite. Depois de cozidas acrescenta-se o arroz.
Deixa-se cozinhar tudo e depois... é só servir e saborear.
Algumas pessoas ainda recordam esses tempos e essa tradição,
Vejam o que contam;
"Lembro-
me que no domingo gordo nos juntávamos e cada uma dava o que tivesse em casa:
arroz, chouriço ou toucinho.
Depois íamos
para junto de uma árvore ou seja uma oliveira que existia aqui junto da casa do
meu pai e aí fazíamos o nosso almoço.
Também
chegou a ser noutros lados, nos meus pinhais… aí estava a lenha necessária para
a fogueira.
Dentro de
uma panela de ferro punham- se as carnes a cozer e depois o arroz. No fim,
quando este estava pronto, cada um ou uma servia-se para o seu próprio prato
onde comia, usando apenas um garfo.
Chamávamos
a este manjar- Arroz de chouriço. Bem bom que era !!!!!"
Maria da Graça Silva
"Sobre as cozinhadas, participei em
algumas!
Lembro-me que numa delas, já tínhamos acozinhada feita quando chegou um grupo
de rapazes mais velhos. Um deles virou a nossapanela e rasgou o casaco a uma menina
e assim acabou a nossa festa sem almoço!
Mas o casonão acaba aqui! A mãe da menina levou
o caso a tribunal, onde fomos todas testemunhar, masjá não me lembro de qual foi a
sentença aplicada, só sei que estávamos todas cheias de medonaquela sala horrorosa."
"Neste Domingo gordo de 2017, o almoço feito ao lume ,em casa dos meus pais com as minhas irmãs ,a matar saudades do tempo de criança". Lucinda Francisco
Fotos de Lucinda Francisco
Fotos da comida e do rancho de Rosário Sousa Fotos das panelas e fogueiras de outros autores (retiradas da net)