domingo, 4 de junho de 2017

11ª Mensagem - As Burrinhas de S. João ou Melolontas

As Burrinhas de S. João ou Melolontas- Melolontas

Foto  de Rosário Sousa


Por alturas do S. João, no mês de Junho, no cimo das árvores mais altas da aldeia de Casal da Quinta apareciam, ao cair da noite, enxames de insetos vindos  de local incerto.


Foto  de Rosário Sousa


 Até na torre da igreja da aldeia apareciam esses besouros inofensivos que faziam as delicias das crianças... Eram as chamadas BURRINHAS DE S. JOÃO.







Fotos de Rosário Sousa


Vejam como foi no ano de 2015 e imaginem a quantidade de insetos a triplicar... era assim no passado!!



ver em : https://youtu.be/hiI6J3kR_mE


Estes insetos de aspeto simpático transformavam-se em brinquedos da pequenada.


Desenho original do livro alemão - "
Max y Moritz
«Niños jugando con Melolontas»
1865
A Criançada colocava-se junto à torre da igreja e aguardava que, do cata-vento (em forma de galo) caíssem autenticas "bolas" de insetos, ao mesmo tempo que cantarolava esta lenga-lenga:   
Desenho de Rosário Sousa
     
Foto  de Rosário Sousa


Depois pegavam-se pelas perninhas faziam-se girar com toda a velocidade e elas , certamente tonteadas, batiam as asas produzindo um zumbido muito característico.



Esta brincadeira durava 5 ou 6 dias ... sempre ao fim da tarde, sempre numa semana próxima do S. João (em princípios de Junho), sempre junto às árvores mais altas ou junto à torre da igreja e sempre com muita muita alegria e animação.

Fotomontagem de Rosário Sousa



Nunca nenhuma Burrinha era morta... depois da brincadeira, e já de noite, os insetos eram libertados e seguiam o seu ciclo de vida, que todos desconheciam.

Foto  de Rosário Sousa




Mas o que são afinal as BURRINHAS DE S.JOÃO?

São simplesmente besouros, insetos cujo nome cientifico é 
 melolonta (Melolontha melolontha). 

Foto  de Rosário Sousa

Em algumas regiões de Portugal e no Brasil é conhecida por pão de galinha por ser muito apreciada por esta e outras aves, quando se encontra em forma de larva. Em  Espanha e alguns  países da America Latina chamam-lhe Gallina Ciega em Inglaterra é Cockchafer.

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O ciclo  de vida evolutivo desenrola-se durante três anos. 




No primeiro ano as fêmeas depositam os ovos no solo, a cerca de 25 a 30 cm de profundidade.


As larvas eclodidas, durante o verão,  vivem geralmente em terrenos arenosos e lavrados , na linha da sementeira, onde se alimentam das raízes da vegetação herbácea e lenhosa.







No outono, enterram-se no solo para hibernarem. 

No segundo ano, o ciclo repete-se, mas as larvas já são mais desenvolvidas e os estragos são os mais importantes.





 No terceiro ano, mais próximas de completar o ciclo de vida, são muito menos vorazes depois transformam-se em crisálidas. 





Em junho, saem da terra já em forma de besouros.






E, já transformadas em insetos adultos, machos e fêmeas sobem a sítios altos onde fazem a sua dança nupcial.





Foto de Rosário Sousa


E acabam assim o seu ciclo de vida cumprindo a sua missão da reprodução

  





Depois a fêmea volta à terra onde deposita os seus ovos brancos e redondos. 

                                                                      



Acabam depois por morrer, os machos e as fêmeas, completando assim o seu ciclo de vida.






E agora que já sabe de onde vem e como vivem as  MOLOLONTAS,  veja novamente este video que mostra os seus  voos nupciais em volta do cata-vento da nossa aldeia. 

São as nossas  BURRINHAS DE S. JOÃO.






Texto e as fotos legendadas  são de Rosário Sousa
As fotos, não legendadas, foram retiradas de diferentes sites existentes na internet,

sábado, 18 de fevereiro de 2017

10ª Mensagem - domingo GORDO - Dia da Cozinhada

Aproxima-se o Domingo Gordo 
e relembro uma tradição antiga da nossa aldeia...
                     a COZINHADA




e o saboroso ARROZ GORDO ou ARROZ DE CHOURIÇO!



"Cozinhada” era o nome dado, por toda a gente do Casal da Quinta, ao tradicional almoço comunitário que se realizava no domingo,  que no calendário vem imediatamente antes do Carnaval, que também se conhece por Domingo Gordo.




Neste dia havia o tradicional costume de fazer um  ARROZ GORDO, no almoço comunitário realizado no  campo... uma espécie de pic-nic à moda antiga.


Velhos e crianças, rapazes e raparigas formavam grupos de acordo com o seu parentesco e vizinhança e organizavam todas as coisas necessárias para esse tão esperado dia de partilha, amizade e alegria.


A refeição constava sempre de um só prato, e  este era sempre feito com de carne de porco, até então conservada nas salgadeiras e nos fumeiros.

A carne e o arroz eram  oferecidos pelos participantes. Cada um levava o que tinha: uma chávena de arroz,toucinho alto e gordo, entremeada, chouriço, o sal, broa de milho e vinho.

Preparavam-se, em conjunto, a fogueira, juntava-se a  lenha miúda, ia-se buscar um cântaro de  água. Depois havia também quem levasse as famosas e típicas panelas de ferro.
Cada um levava o seu prato  e o seu garfo e pouco antes do meio dia, no sitio combinado fazia-se a fogueira, colocava-se a panela ao lume e assim se juntavam todos os ingredientes necessários.





 E depois de pronto... era só saborear.  E como sabia bem!


Eis a receita:

Arroz
Carnes de porco (toucinho, entremeada. chouriço), cebola, azeite, sal.
Cortam-se todas as carnes em pequenos pedaços e tiram-se todos os ossos. Colocam-se na panela com água e a cebola picada e tempera-se com sal e azeite. Depois de cozidas acrescenta-se o arroz.

Deixa-se cozinhar tudo e depois... é só servir e saborear. 





Algumas pessoas ainda recordam esses tempos e essa tradição, 
Vejam o que contam;

"Lembro- me que no domingo gordo nos juntávamos e cada uma dava o que tivesse em casa: arroz, chouriço ou toucinho.
Depois íamos para junto de uma árvore ou seja uma oliveira que existia aqui junto da casa do meu pai e aí fazíamos o nosso almoço.
Também chegou a ser noutros lados, nos meus pinhais… aí estava a lenha necessária para a fogueira.
Dentro de uma panela de ferro punham- se as carnes a cozer e depois o arroz. No fim, quando este estava pronto, cada um ou uma servia-se para o seu próprio prato onde comia, usando apenas um garfo.
Chamávamos a este manjar- Arroz de chouriço. Bem bom que era !!!!!"
Maria da Graça  Silva

"Sobre as cozinhadas, participei em algumas!
Lembro-me que numa delas, já tínhamos a cozinhada feita quando chegou um grupo de rapazes mais velhos. Um deles virou a nossa panela e rasgou o casaco a uma menina e assim acabou a nossa festa sem almoço!
Mas o caso não acaba aqui! A mãe da menina levou o caso a tribunal, onde fomos todas testemunhar, mas já não me lembro de qual foi a sentença aplicada, só sei que estávamos todas cheias de medo naquela sala horrorosa."



"Neste Domingo gordo  de 2017, o almoço feito ao lume ,em casa dos meus pais com as minhas irmãs ,a matar saudades do tempo de criança". 

                                                                                                 Lucinda Francisco




                                                                                    Fotos de Lucinda Francisco


  

Fotos da comida e do rancho de Rosário Sousa
Fotos das panelas e fogueiras  de outros autores (retiradas da net)


sábado, 21 de janeiro de 2017

9ª Mensagem - Primos e primas

O adro da nossa igreja  de S. António, em Casal da Quinta, Milagres, Leiria, sempre foi um local de encontro.


Desde sempre se encontravam aqui novos e velhos... no Inverno e no verão,
de semana e ao domingo, nos momentos de tristeza ou nos momentos de alegria.



Aos domingos à tarde, no jardim do tio Marta e da tia Ilda, reuniam-se os primos e as primas. SIM... porque na nossa aldeia todos são primos e primas.







Ao longo de vários meses e anos esses encontros de primos e primas, vizinhos e amigos serviram:


Para acabar com os desânimos do momento e animar a vida...






Para calar  e falar... falar de si e dos outros... falar de nada e falar de tudo!






Para discutir, ralhar, dialogar... e pensar!






Para  chorar de tristeza e chorar de rir!





Para matar a saudade e... matar a solidão!





Para cultivar o afeto, a partilha, o carinho, a ajuda, a alegria e a amizade entre gerações!






Estas são algumas das fotos, organizadas neste pequeno video, com uma música cuja letra me parece muito apropriada, que retratam alguns dos momentos vividos no jardim do tio Manuel Marta e da tia Ilda Carpalhosa.




 Eles sempre souberam receber todos à sua volta e eram exemplos de como cultivar o afeto, o carinho, a ajuda e a amizade por todos aqueles familiares, vizinhos e conhecidos que se juntavam ou apareciam à sua  porta.



 Veja este video   https://youtu.be/0ypju2kqlKg  (clique em cima do triângulo) e testemunhe esses momentos vividos.
Estes encontros ocorreram com mais frequência quando as doenças e as limitações do corpo, de todos os primos e primas, os obrigaram a deixar o trabalho e a passarem mais tempo no banco do jardim.







Obrigada a todos os primos e primas!