99 anos depois...
descobrimos onde repousa, em paz, o jovem Manuel da Mota.
Este Natal recebi um presente fantástico do Paulo Domingues e do seu pai Abílio Domingues, mais conhecido por Abilio Marau.... que quero partilhar com todos vós.
Recebi notícias de um tio avô falecido na 1ª guerra mundial. Chamava-se Manuel da Mota e foi um dos muitos jovens que pertenciam ao 1º Corpo Expedicionário Português que, em 17 Janeiro de 1917, embarcou para França para lutar nas trincheiras nas frentes de combate.
Do Casal da Quinta foram quatro jovens Jacinto Sousa (na 1ª foto), António Fonseca Estrada (na 2ª e 3ª fotos) e José de Sousa Carpalhoso e o meu tio avô... Manuel da Mota,
Diziam os meus familiares que ele era o mais corajoso e destemido e que repetidamente dizia aos seus companheiros: "Não tenham medo... havemos de voltar!"
Mas dos quatro ele foi o único que não voltou... morreu vitima do gás em 7 de julho de 1917 , três dias depois da morte de José da Silva e Sousa (4/7/1917) e três dias antes de Joaquim Ferreira Domingos (10/7/1917), dois companheiros da mesma freguesia.
99 anos passaram!
Para alguns de nós apenas ficou a lembrança da de histórias dos nossos avós que falavam do tio que por lá ficou ou dos outros, com mais sorte, que voltaram com traumas de guerra e doenças de ossos provocadas pelo frio intenso.
Não tenho fotos de Manuel da Mota nas tenho de dois companheiros do Casal da Quinta que o acompanharam:
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| Padre Lacerda Capelão militar voluntário na Flandres, onde o combateu na Batalha de La Lys |
A Maria da Graça (mais conhecida pela Graça filha da Mª Laura) neta do soldado José de Sousa Carpalhoso Júnior contou-nos como é que o seu avô conseguia enganar essa censura. Disse ela:
" ... O meu avô foi o maior contador de histórias que conheci na vida. Tinha perdido dois dedos na guerra e , das muitas histórias que contava e das experiências que viveu na guerra, recordo-me do que ele nos dizia de como era difícil comunicar com a família. A única maneira que existia era através das cartas, mas codificadas para que os instrumentos de censura não as apreendessem. Assim, para dizer à família que passava fome pedia ou escrevia para que a família lhe guardasse feijão frade para o seu regresso. Como a família sabia que ele não gostava nada de feijão-frade, apercebia-se que ele queria dizer que passava fome.
" Outra história ... Quando um seu companheiro morria na guerra e ele queria dar a notícia à família não o podia fazer francamente e usava formas codificadas para o fazer : O companheiro x (fulano) foi fazer companhia a Y (Sicrano),sendo que o Sicrano seria alguém que já tivesse morrido e que ambas as partes conheciam."
Jacinto Mota, António Estrada e Manuel da Mota e todos os outros soldados oriundos do distrito Leiria pertenciam ao 4º Batalhão de Infantaria tal como prova a sua carta militar.
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| Carta militar de Manuel da Mota |
Em Janeiro de 1917 embarcaram em Lisboa juntamente com soldados vindos de outros pontos do país.
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| A despedida |
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| O embarque em Lisboa |
Combateram... lutaram....
Sofreram com as balas... Sofreram com as feridas... Sofreram com a fome... Sofreram com o frio...sofreram com o gás... Sofreram com as doenças... sofreram com a saudade.
Muitos não aguentavam os horrores e colocavam termo à própria vida.
| No ataque às tropas inimigas |
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| Com máscaras anti-gás |
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| Em ação nas trincheiras. |
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| Em pausa para a fotografia |
Uns conseguiram voltar...
Traumatizados com a guerra... doentes... infelizes com as perdas com as marcas deixadas pela guerra.
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| Embarque das tropas portuguesas em França |
Outros lá ficaram... mortos no campo de batalha ou prisioneiros de guerra.
| Depois de uma batalha |
Manuel da Mota foi um dos milhares que lá perderam a vida e lá ficaram.
O Padre Lacerda tinha um diário onde registava todas as suas atividades, no dia 16/08/1917----- escreveu:
"Fui às 14 horas para a infantaria 7 e ali soube dos mortos e atacados com gás. Soube da morte do Mota. Falei com os rapazes dos Milagres e de outras partes..."
Manuel da Mota, o meu tio avô e antepassado de todos os Motas da aldeia, lá ficou provavelmente morto devido ao gás que respirou e o seu corpo, finalmente em paz, descansa agora no cemitério de Richebourg l´Avoué, situado a Norte da França.
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| Pedra tumular de Manuel Mota. |
Richebourg é um cemitério militar exclusivamente português, com 1.831 mortos, dos quais 238 são desconhecidos.
Os corpos dos homens que hoje encontraram o seu descanso naquele local vieram de outros cemitérios em França, como o de Touret, Ambleteuse ou Brest.
Vierem também de Tournai na Bélgica e alguns da Alemanha, no caso dos prisioneiros falecidos naquele território.
Vierem também de Tournai na Bélgica e alguns da Alemanha, no caso dos prisioneiros falecidos naquele território.
A recolha total e os trabalhos de inumação dos corpos ter-se-á efectuado entre 1924 e 1938.






















Olá. Meu nome é Thais, sou brasileira mas meu avô paterno é português. Eu vi que você cita o nome de Joaquim Ferreira Domingos como sendo um dos mortos junto com seu familiar. Podia me dar maiores informações sobre este Joaquim, morto em 1917? Porque meu avô, que na ocasião era um menino (ele é nascido em 1906) chamava-se Joaquim Ferreira Domingos (assim como meu pai). Gostaria de saber se este Joaquim é porventura parente de meu avô, talvez um tio, ou um irmao mais velho. Se tiver notícias, agradeço. thatidomingos@hotmail.com
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